PSTU: “FHC está certo”

O PSTU, que tem feito sistematicamente análises muito parecidas com a propaganda imperialista, agora resolveu dizer abertamente que concorda com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No artigo “Eles roubam tudo”, o PSTU, usando de uma frase que aparentemente não compreenderam direito, afirmam com todas as palavras: “FHC está certo”.

“Esse é um governo frágil. Até o ex-presidente FHC (que não ficou atrás em corrupção), disse que o governo Temer é uma pinguela e não uma ponte a ser atravessada até 2018. Nisso, FHC está certo. Por isso mesmo, o PSDB correu a socorrê-lo.” (pstu.org.br)

O ex-presidente tucano disse a frase referenciada em entrevista ao jornalista Mario Sérgio Conti, no canal GloboNews, ao ser perguntado sobre a possibilidade de ele ser candidato à presidência, caso Michel Temer seja derrubado. “Nós estamos atravessando uma pinguela, mas se essa pinguela quebra, nós caímos no rio. Meu esforço todo é para que haja uma travessia”, afirma Cardoso, que defende a convocação de eleição direta neste caso, como o PSTU.

Quando FHC se refere ao governo como “pinguela”, ele não está apenas chamando o governo de fraco. A frase é uma crítica ao plano do governo de Temer, baseado no documento intitulado de Ponte Para o Futuro. Ou seja, para FHC, os planos de Temer são pequenos e improvisados, insuficientes frente o que o próprio PSDB planeja para o país.

É evidente que FHC, e ninguém do PSDB, dirá abertamente que quer derrubar o governo, mas esta simples declaração do ex-presidente convenceu facilmente a redação do PSTU. É preciso ver os fatos. O PSDB possui várias ações que pedem a cassação da chapa presidencial de Dilma e Temer e que continuaram em processo depois da queda de Dilma. Além disso, os tucanos são parte da pressão contra Temer, o PMDB e o governo em geral, fazendo cair vários ministros em poucos meses.

Não é de se estranhar que o PSTU, que não reconheceu nenhum dos golpes de Estado ocorridos no mundo no último período e nem mesmo o brasileiro, também não enxergue esta movimentação. A ala direita dos que fizeram o golpe, representados por PSDB e DEM, a força-tarefa da Operação Lava Jato e grande parte da imprensa burguesa, quer um governo puro sangue dos pró-imperialistas e tirar o PMDB do caminho. Isto está em operação e não uma mobilização do PSDB para salvar Temer, como afirmam os morenistas.

“Uzwela – conversa sobre cultura” não será transmitido nesse sábado

O programa da Causa Operária TV em parceria com o Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP) que é realizado todos os sábados, não acontecerá no próximo final de semana. O motivo da suspensão será a realização do 8° Congresso Nacional do Partido da Causa Operária, ou seja, toda a militância estará focada na participação e organização do evento que ocorrerá nos próximos dias 9, 10 e 11.

Enquanto isso, assista aos últimos programas, para ver a lista com todo os episódios, clique nesse link. Abaixo a gravação do último programa, com a participação da cantora e compositora Miriam Miràh:

 

 

 

Extrema-direita é derrotada por pouco na Áustria

Neste domingo (4), os austríacos foram às urnas pela terceira vez esse ano para eleger seu presidente. Em maio, o segundo turno foi anulado pela justiça depois que irregularidades na apuração dos votos foram constatadas. Diante de uma diferença de apenas 31 mil votos, o processo teve que ser realizado novamente. As eleições presidenciais na Áustria foram marcadas pela ascensão da extrema-direita, com Norbert Hofer, do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), quase vencendo o segundo turno em abril. O FPÖ foi fundado por ex-nazistas, em 1949, e seu primeiro líder foi um integrante das SS.

O vencedor da votação de abril confirmou sua vitória no domingo, dessa vez por uma margem maior, Alexander van der Bellen, do Partido Verde, chegou a 53,6% dos votos. A repetição das eleições foi acompanhada de uma campanha de todos os partidos e da imprensa contra a extrema-direita. Apesar disso, a diferença ainda foi relativamente pequena, e mostra a extrema-direita com grande força na Áustria diante da desintegração do bloco da União Europeia (UE). Como o Brexit na Europa e a eleição de Trump, esse avanço da extrema-direita se dá no marco de uma rejeição ao neoliberalismo, enquanto os grandes partidos tradicionais dos regimes políticos está amarrada a esse projeto.

A crise política do regime na Áustria expressou-se nas eleições presidenciais com os dois partidos na grande coalizão de governo não conseguindo sequer chegar ao segundo turno: o Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) e o Partido Popular da Áustria (ÖVP). O cargo de presidente é um cargo menos importante no regime austríaco, mas as eleições servem de termômetro para o avanço da extrema-direita e a crise do regime político. Usando o cargo de presidente, Hofer pretendia pressionar pela saída da Áustria da UE.

7 de dezembro de 1964 – Castelo Branco decreta o AI-4 para a criação da Constituição golpista

Com a intenção de organizar uma nova Constituição mais harmoniosa à ditadura militar instaurada em 1964, Castelo Branco decretou o Ato Institucional Número Quatro, que convocava o Congresso Nacional para organizar a Constituição da ditadura militar.

Para isso, Castelo Branco reuniu uma Comissão Mista, composta por senadores e deputados escolhidos pelo próprio.

A nova Constituição, aprovada em 1967, seria a mais antidemocrática e repressiva possível. Ela estabelecia eleições indiretas para presidente, concentrava na mão do não-eleito a maior parte do poder de decisão, o fim do direito de greve etc.

Para os golpistas, população deve trabalhar até morrer

O governo golpista encaminhou para o Congresso Nacional proposta de reforma da previdência, a PEC foi protocolada na noite da última segunda-feira, 5, e publicada no Diário Oficial nesta terça-feira. Além de estabelecer uma idade mínima de 65 anos para que o trabalhador possa se aposentar, igualando a idade mínima para homens e mulheres, a proposta determina que para ter direito à aposentadoria integral, o trabalhador deverá contribuir durante 49 anos.

A reforma da previdência valeria para os servidores públicos vinculados ao INSS, além de políticos e trabalhadores rurais e urbanos.

A mudança na lei, é mais um duro ataque a um importante de direito da classe trabalhadora brasileira. A mudança nas regras praticamente extingue o direito à aposentadoria e condena a população, milhares de brasileiros a trabalharem até morrer, levando em conta que a expectativa de vida no País está em torno dos 77 anos de idade.

A política dos golpistas é aumentar os lucros dos banqueiros e dos grandes capitalistas por meio da extinção de todos os direitos e garantias estabelecidas. Com a falsa justificativa de equilibrar as contas, a direita impõe uma verdadeira política de escravidão contra toda a população, obrigando a imensa maioria do povo a trabalhar até a morte sem que tenha qualquer benefício. Vale lembrar que outro objetivo dos golpistas é acabar com a CLT e aumentar a carga horária de trabalho.

A única forma de barrar essa ofensiva é por meio da mobilização popular. É preciso colcar em primeiro lugar a luta contra o golpe, o qual se aprofunda a cada dia no país. Somente a mobilização da classe operária pode por fim a política de destruição de todos os direitos promovida pela direita golpista

João Doria acaba com a Virada Cultural

O tucano João Doria, prefeito eleito em São Paulo para o próximo mandato, continua sua saga de lançar um ataque atrás do outro contra a população paulistana. Agora anunciou que a Virada Cultural, grande evento do calendário de atividades públicas da cidade, não será mais espalhada por diversos lugares do centro da cidade, mas centralizada no Autódromo de Interlagos, Zona Sul.

A justificativa para isso, nas palavras do prefeito eleito, é aumentar a segurança e garantir que todas as atividades culturais transcorram bem. É evidente que se trata de uma medida completamente antipopular, pois afasta as pessoas do centro da cidade de São Paulo.

Muitas pessoas da população operária, majoritariamente massacradas por jornadas de trabalho opressivas, apenas conseguiam andar pelo centro da capital paulista nos dias da Virada Cultural. O efeito imediato dessa decisão da prefeitura de São Paulo é o completo afastamento da pobreza da região central metropolitana.

Além disso, os custos com uma Virada Cultural em um ponto único da cidade são reduzidos para menos de um terço do que foram em outros anos. Assim, é perceptível mais um desdobramento das medidas de austeridade financeira, tendo como grande vítima a população pobre e trabalhadora que já tem escassos acessos aos bens culturais.

Há quem comemore essa ofensiva contra a população. A futura secretária municipal da Assistência Social, Soninha Francine (PPS), apoia Doria e afirma cinicamente que a Virada Cultural levará muitas pessoas para Interlagos. Seu embasamento para esse posicionamento se fundamenta em comprar a Virada Cultural com o mega empreendimento capitalista musical, o festival Lollapalooza, que diz ocorrer de maneira satisfatória no autódromo.

Essa é mais uma das medidas de corte de gastos dos governos dos partidos golpistas. Os seus alvos prediletos são a população pobre que depende diretamente de ações do Estado para as suas garantias mínimas de sobrevivência. A reversão dessa e de outras ações semelhantes passa concretamente na luta contra o golpe, pois se houver mais espaço para golpistas nos governos, cada vez mais a população sentirá as consequências  em seus direitos elementares.

5 razões pelas quais o debate “Para onde vai a esquerda no Brasil” não teve nada a ver com a esquerda

No dia 28 de novembro aconteceu no auditório da Folha de S. Paulo um encontro para debater “Para onde vai a esquerda no Brasil” (leia mais aqui).

Para o debate foram convidados Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul, e membro da corrente “Mensagem” do PT; Breno Altmam, do blog Opera Mundi e revista Samuel, e da Frente Brasil Popular; Vladimir Safatle, que embora não se apresente como tal é do PSOL, colunista da Folha e professor de Filosofia da USP. Também foi convidado Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que desistiu de participar após repercussão negativa de sua participação no evento logo após ter dado entrevista na Globo News, embora seja, ele mesmo, colunista do jornal.

Veja aqui cinco pontos destacados das falas dos debatedores que pretendiam falar dos rumos da esquerda.

1. Golpe

O golpe foi parlamentar, ou um golpe da direita estimulado pela campanha anticorrupção. Apenas isso foi dito por Breno Altman e Tarso Genro a respeito do acontecimento político fundamental no País no último período. Vladimir Safatle sequer pronunciou a palavra golpe – o que era de se esperar.

Deles apenas Breno Altman fez algo, ainda que nominalmente, contra o golpe de Estado. Participa da Frente Brasil Popular, que reúne as maiores organizações populares, de trabalhadores e juventude do país. Os outros não fizeram nada contra o golpe. Tarso Genro ainda por cima aproveita a crise no PT em favor de seus interesses.

O país vive sob um golpe de Estado dado pela direita que busca modificar, moldar o regime no sentido de uma verdadeira ditadura para impor um programa neoliberal sem a reação popular e caso ela ocorra com uma repressão generalizada, como em uma ditadura, embora com aparente legitimidade pois a modificação do regime consiste, entre outras coisas, no aumento de poder do judiciário e em leis aprovadas pelo próprio judiciário ou pelo Congresso golpista. Mas os debatedores não consideraram essa realidade.

Até falaram sobre um avanço da direita, mas nada de discutir “os rumos da esquerda” a partir dos ataques da direita golpista, neoliberal.

Discutiram mudanças de conteúdo e na forma, como se isso devesse se dar sim num contexto de avanço da direita, mas sem considerar o golpe, a intervenção violenta da direita, o avanço do fascismo e a tendência a ataques sem precedentes às organizações de esquerda.

Esse é um tema fundamental para a luta da esquerda no País. A mudança do regime rumo a uma ditadura, o contorno fascista que estão tomando as organizações de direita, como o MBL, exigem uma reação a altura da esquerda e suas organizações. É o momento de discutir, por exemplo, a autodefesa dos trabalhadores, mas tudo isso passou ao largo do debate, promovido por um jornal golpista, que se propunha a discutir os rumos da esquerda.

2. Corrupção

O mediador, Fernando Canzian, foi quem colocou o tema em debate. Se esperava uma autocrítica, conseguiu. Mas os debatedores não se dedicaram muito ao tema.

Como não podia deixar de ser, o mais entusiasta da punição aos “corruptos” foi justamente o membro do PSol, que é muito próximo da corrente da Luciana Genro no partido. Safatle chegou ao extremo de citar Lênin (O Estado e a Revolução) para colocar-se, de fato, mas não em palavras, em favor da Lava Jato e da implacável punição dos “corruptos”. Aqui vale lembrar a aliança política do Psol com a direita, em particular da corrente de Luciana Genro, o MES, ao ignorar o caráter persecutório da Lava Jato e afirmar que “quem não deve não teme”.

Breno Altman confirmou que os corruptos precisam ser punidos.

Tarso Genro quase pediu desculpas em nome do PT; apesar de reconhecer que a corrupção seja muitas vezes usada em campanhas golpistas, como ocorreu em 1964.

A corrupção tem sido o pretexto para toda perseguição realizada contra o PT, suas lideranças e seus governos. Sob esse argumento a direita e sua imprensa têm atacado organizações dos trabalhadores e defendido, por exemplo, a reforma política, que vai acabar com partidos.

Reforma política que contou com apoio de Altman. No debate o petista repetiu a falácia fascistóide de que no Brasil existem muitos partidos e alguma coisa precisa ser feita para mudar isso.

3. Frente Popular – Conciliação de classes

Os três debatedores questionaram e criticaram a política de colaboração de classes do PT, da esquerda. Embora não tenham apresentado qualquer alternativa a essa política. Ao contrário, defenderam qualquer tipo de aliança com a burguesia, uma vez que todos eles concordaram que a estrutura atual de luta de partidos e mais, o partido “baseado  na luta de classes” está ultrapassada.

Se está ultrapassada a política de se enfrentar com a burguesia em uma política de oposição firme e declarada só resta a política de conciliação.

Interessante destacar que Tarso Genro foi governador do Rio Grande do Sul pelo PT, Na época não se deu ao trabalho de elaborar uma nova política, romper com a conciliação de classes, e a Frente Popular. Foi eleito pelo PT, tal qual ele existe hoje. Mas era outra época e não pegava tão mal aos olhos da burguesia e da pequena-burguesia ser do Partido dos Trabalhadore.

4. Partido

Aqui chegamos a um tema fundamental que está relacionado com a própria realização do debate.

Ainda que não tenha sido expresso abertamente, fica claro que o objetivo da Folha, em outras palavras, da burguesia, é orientar a esquerda no sentido da construção de uma nova organização, “superando o PT”, o “lulismo”; qualquer coisa mais palatável à burguesia; menos ligada aos trabalhadores, sua luta e sua força.

Isso foi expresso por Tarso Genro, principal interessado na proposta não declarada da Folha. Segundo ele “a forma de partido tradicional está esgotada”.

Isto porque são contra um partido de luta, que enfrente a burguesia; um partido operário, centralizado, ideológico, comunista, revolucionário. Querem um partido com o qual seja mais fácil disputar eleições, se adaptar ao regime dos golpistas. Não é à toa que Tarso Genro já chegou a propor mudar o nome do PT, tamanha capitulação.

A luta de partidos é a forma mais bem acabada da luta de classes (leia mais aqui). É justamente por negar essa luta que negam os partidos. Não à toa que Genro citou os dois partidos que expressam essa luta que nesse momento se dá em meio ao golpe de Estado: o PCO e o DEM.

De uma maneira ou de outra todos três expressaram essa mesma opinião e defenderam uma espécie de Frente. Safatle não gostou do termo, pois tem cara de eleição, mas esse deve ser o melhor termo justamente porque essa é, de fato, a maior preocupação dos debatedores: as eleições; e é assim que se caracteriza o exemplo de organização que, de uma maneira ou de outra, todos demonstraram defender, o Podemos da Espanha. Mas o Podemos é justamente um partido, para participar das eleições; que por trás de uma fachada de horizontalidade, sem lideranças etc. reúne diferentes setores que buscam participar das eleições burguesas.

No Brasil já existe algo semelhante que é o Psol; que nasceu para ser uma suposta alternativa ao PT, com parlamentares e correntes saídas desse partido

Genro disputa internamente o PT. Isto se dá na imprensa golpista, que tem dado amplo destaque a sua corrente “Mensagem” e à proposta “Muda PT”, que pretende se sobrepor à atual ala majoritária do partido, mais ligada à Lula. O PT tem congresso que vai mudar a direção do partido em março de 2017.

5. Socialismo

Os três debatedores consideram o socialismo ou a revolução uma impossibilidade. Se já consideraram essa possibilidade a abandonaram completamente.

Quem falou abertamente sobre o assunto foi o ex-governador Tarso Genro.

Segundo ele, acabou a luta entre partidos, no modelo tradicional existente, porque acabou a luta de classes.

A “sociedade baseada em classes sociais, não existe mais”, “porque na base há uma fragmentação” e as relações “não se enquadram mais na relação proletariado-burguesia”.

Portanto a “utopia socialista”, a saída “revolucionária” não está mais colocada. Agora a situação é “mais difícil que a antiga luta de classes”.

No mundo real a luta de classes está aí para quem quiser ver, o golpe deixou isso bem claro. Estão em jogo os interesses dos dois campos extremos na sociedade, da burguesia, do imperialismo e do proletariado. A FIESP, representante da burguesia, junto com a Globo, sua porta-voz, e os partidos da burguesia, derrubaram um governo, e colocaram no seu lugar um capacho.

O objetivo é impor um programa neoliberal de ataque aberto aos trabalhadores e suas organizações. O que pretendem é a reforma da Previdência, trabalhista, a entrega do pré-sal e outras riquezas nacionais, privatizações, terceirizações. O fim da política de valorização do salário mínimo de políticas sociais, como o Bolsa Família e outros.

O imperialismo através dos seus capachos no país, reunidos no PSDB e outros, pretendem levar adiante uma política de rapina, para colocar o Brasil em posição definitiva de colônia, para garantir o lucro dos monopólios internacionais. Está em jogo os direitos elementares da população, dos trabalhadores.

A luta de classes está no centro da disputa que se dá no país. Tarso Genro, como os outros a negam da mesma maneira que negam o golpe de Estado e recusam combatê-lo, entregando o país de mão beijada para a direita pró-imperialista.

Dilma: golpe “combina neoliberalismo e estado de exceção”

Em entrevista ao Portal da CUT, na semana passada, Dilma Rousseff condenou a repressão violenta às manifestações populares, e alertou para a perigosa combinação de neoliberalismo e estado de exceção do governo golpista, visando a atacar os direitos dos trabalhadores.

A presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista de quase vinte minutos ao Portal da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na noite da última quarta-feira (30/11). Nesta breve análise de conjuntura, Dilma abordou a Proposta de Emenda à Constituição 55/2016 (a chamada “PEC do Fim do Mundo”), a repressão às manifestações populares contrárias a ela, seus efeitos diretos e suas combinações com outras medidas, concluindo com uma ponderação sobre o papel da esquerda no cenário político atual.

Dilma começou comentando a repressão ao ato de estudantes e trabalhadores contra a PEC ocorrida na véspera (29) – durante a aprovação da matéria em primeiro turno no Senado Federal –, advertindo que a atuação policial lembra “a parte pior da ditadura”. Responsabilizou então o governo golpista diretamente pela violência: “consta que isso foi autorizado pelo próprio presidente, o que é lamentável”.

A presidente fez uma análise mais detida sobre a “PEC do Fim do Mundo”. Para Dilma, a emenda é por um lado uma expressão do “retorno do neoliberalismo mais grosseiro, mais violento”, que “retira do orçamento a população brasileira”; por outro lado é uma “reiteração do estado de exceção corroendo a democracia”.

Com o impeachment, os golpistas subtraíram o voto dos seus próprios eleitores, mas com a “PEC do Fim do Mundo” retiram a capacidade de gestão de pelo menos quatro presidentes futuros, eleitos pelo voto popular, que perderão o direito de alocar recursos de acordo com a vontade de seus eleitores. Um presidente eleito ficaria impedido de investir em educação, por exemplo: “massificar o ensino para criar tecnologia, para ter emprego de melhor qualidade, pra que as empresas e as indústrias evoluam, para que o mercado de trabalho se qualifique”. Tal restrição subtrai “ao povo brasileiro o direito de executar o orçamento”.

Para Dilma, o quadro futuro colocado pela PEC se agrava ao combinar-se com outras medidas, como a reforma da previdência ou os ataques aos direitos trabalhistas. Em sua visão, a desvinculação da aposentadoria da política de valorização do salário mínimo certamente afetará justamente as camadas menos favorecidas da população.

No campo dos direitos trabalhistas, a presidente acredita que o gabinete golpista “veio para completar o trabalho que não foi feito no governo de Fernando Henrique Cardoso. Eles aproveitam as crises para fazer as reformas que de outras formas jamais passariam”, como por exemplo, a lei de terceirização – que certamente provocará uma “pejotização” generalizada [transformação do trabalhador em pessoa jurídica sem direitos] –, o aumento da jornada de trabalho e o esmagamento dos movimentos sociais e sindicais.

Dilma alerta que no mundo tais políticas neoliberais, de “financeirização exacerbada” – em que apenas 15% dos investimentos são feitos em setores produtivos –, produziu uma “concentração de riquezas monumental” e o apenamento das minorias pela crise econômica resultante. A presidente finaliza reforçando que a combinação do neoliberalismo com o estado de exceção demanda dos sindicatos e partidos políticos de esquerda conclamando a criação de “uma grande frente”, que objetive “colocar hoje na pauta a questão da eleição direta para presidente da república”. As eleições diretas hoje seriam o antídoto para um “golpe dentro do golpe” constituído pela eleição indireta para presidente: “eles estão querendo fazê-la mais longa. Se possível mudando o regime para parlamentarista, se possível elegendo um substituto para este governo que tem claramente todos os indícios de que está muito fragilizado” – arremata.

Seu discurso reverbera ao final a ilusão eleitoral do PT, como se os golpistas – que hoje dominam os meios de comunicação, o processo eleitoral, o judiciário – estivessem dispostos a permitir deixar-se vencer nas urnas por um representante da classe trabalhadora. Sabe-se que, mesmo na remota hipótese de trégua no processo de perseguição da esquerda (permitindo uma candidatura viável do PT), a máquina de propaganda da imprensa burguesa fomentará a vitória de um representante do imperialismo. Prova de tal intransigência do capital estrangeiro para com os meandros da política nacional é o ataque às oligarquias locais do PMDB promovida nas últimas semanas colocando o próprio governo golpista em xeque, para que o regime seja controlado por setores abertamente mais direitistas, como o DEM, o PSDB, etc.

O diagnóstico de Dilma porém é claro: não há dúvida de que o eixo principal do golpe segue sendo o ataque direto aos direitos trabalhistas, acompanhados de uma permanente crise econômica e um recrudescimento progressivo das forças opressivas do Estado, de modo a manter a população necessitada e sob controle.

É preciso lutar contra o golpe de Estado e derrotá-lo como um todo, com a anulação do impeachment, a derrota das instituições golpistas, como resultado de uma ampla mobilização da classe trabalhadora.

Para a Justiça, assassinar pobre e negro não é crime

Douglas Martins , de 17 anos, foi assassinado brutalmente na frente do irmão mais novo, pela Policia Militar. O caso ocorreu em 2013 no Jardim Brasil, na zona norte de São Paulo. Douglas estava com o irmão e mais um amigo, quando foi abordado pela PM que o assassinou sem dizer nenhuma palavra. As últimas palavras de Douglas foram: “por que o senhor atirou em mim”, frase que virou símbolo de campanha e dos protestos contra a brutalidade policial.

O assassino foi o Policial Militar Luciano Pinheiro Bispo, que, cinicamente, afirmou que a arma disparou acidentalmente.  Agora, anos depois, o Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo absolveu-o do crime.

Esta execução foi tratada como homicídio culposo (quando não a intenção de matar) e por isso, foi julgado na justiça militar. A absolvição deste assassino, assim como a dos assassinos do Carandiru, expressa justamente o caráter da relação entre o judiciário e a Policia, que atacam o povo negro e pobre.

Esse assassinato “acidental”, como milhares de outros, demonstram que há um política do Estado deliberada de massacre da população pobre e negra. A polícia é uma organização de assassinos profissionais, tudo que fazem, todos que matam é deliberado. O argumento de disparo acidental é um deboche.

O regime golpista está intensificando a perseguição e o massacre contra o povo negro e pobre. Os golpistas que tomaram o poder são justamente os mesmos que absolveram este assassino e se apóiam na PM, esta corporação odiosa e assassina. A orientação dos golpistas é um aprofundamento desta politica já seguida pelos assassinos de farda, só que agora elevada a um nível bastante superior.

A única maneira de que o caso de Douglas não ocorra com milhares de outros é a luta contra o golpe, pois são eles, os golpistas, que sustentam a opressão do povo negro na bala. A população negra foi a primeira a sofrer os efeitos golpe, é a primeira a ter os direitos democráticos mais elementares extintos, é a primeira a sofrer os efeitos devastadores da política econômica dos golpistas e da política repressiva igualmente terrível.

A luta contra o golpe, neste atual momento, deve ser a luta do povo negro e oprimido, pois os golpista são os mesmos que defendem e impulsionam a violência do Estado contra o povo negro, antes e, sobretudo, agora que estão no poder.